Psicodália 2009 – Só Alegria e Minhas Impressões.
Carnaval de salvador? Bloco de carnaval na beira da praia? ziriguidum? Escolas de Samba na avenida?
Não obrigado, eu fui para o Psicodália, curtir um pouco de natureza, Rock 70’s e todo esse lance “paz & amor”. Pode não ser um festival gigante, com muita divulgação etc, mas não é isso que o faz um bom de música ao ar livre e sim o conjunto de toda obra: bandas, povo bacana e educado, aquele contato extra com a natureza que dão o charme ao movimento psicodália e uma organização satisfatória.
Antes da partida precisava de um lanche fino, elegante e diagonal, fui ao Speedy Lanches comer o tão falado, por mim, Xis-Lombo. O bacana do Speedy são os freqüentadores, ninguém te olha, ninguém quer saber de ti, tu mal tem um lugar para sentar e não tem as tão temidas crianças correndo que sempre param atrás do Jay Noronha. Ainda deu tempo para dez minutos de faceirice no Ceva&Blogs 8, que teve novos blogueiros, pena que eu não lembro qual era a visita internacional, mas mesmo assim eu não o vi, azar desses novos por não me conhecerem melhor e descobrirem o quão mala sou.
Depois de tanta faceirice prévia, já era hora de pegar a estrada e é isso que eu e meus queridos companheiros psicodálicos-progressivos fizemos, no total eramos quatro em um Fiat Uno 93, ultra lotado – só nossa “pequena” barraca ocupava quase todo porta-malas.
On the Road
Antes de sair comentei: “Segundo o Google são 4h de viagem de Porto Alegre(Rio Grande do Sul até São Martinho(Santa Catarina)”, mas eu já previa que iria ser uma viagem um pouco mais longa, planejei uma ida com cautela e uma margem de tempo para o caso de nós perdermos, ainda mais que era de noite e tinha a chuva para me forçar a andar devagar, a ultima coisa que eu queria era estragar o divertimento tão cedo. No rádio, para animar a viagem, o melhor do Progressivo, Jazz e Fusion para deixar o povo na pilha para os dias de acampamento e orgia-musical (ou não). Para quem não conhece a Free-Way (BR-290), se tem dois postos de pedágio e um dos meus divertimentos particulares é olhar no ticket qual o lindo nome da atendente, geralmente são nomes engraçados dos moradores da região de Gravataí, mas o azar nos brindou apenas com uma Rosilene, que nem é um nome tão diferente assim. Em torres, uma parada de mais de uma hora para visitar um amigo que também estava indo para Santa Catarina, só que para o litoral. Não cabe em palavras muito menos minha memória permite recordar de todas as folgações da viagem, foram muitas e de todo mundo, já que o que mais adoramos é cometer suicídios e matar outras pessoas de tanto rir
QUERO SER BIXO DO MATO!
Não sei se alguém conhece São Martinho, mas pensem em um lugar longe e mais uns 20 minutos de estrada de chão – por causa do trânsito – sem sinal de celular, internet e sem relógio (desligamos os celular para ter bateria, logo sem relógio), pois era lá e por causa da distãncia da civilização porca, era muito bonito.
Ao todo eram três acampamentos para montar as barracas. Mutantes, o mais perto dos palcos e o com o pessoal mais animado. Secos e Molhados, o maior e mais afastado para quem gosta de tranqüilidade e por fim, Casa das Maquinas, para os músicos. Percebam pelos nomes o estilo do festival, totalmente psicodálico mesmo. Chegamos lá amanhecendo para facilitar a chegada ao local desconhecido, o que foi bem esperto de nossa parte, nossa viagem foi longa a beça por causa das paradas e de toda a cautela, mesmo já sem chuva a metade do caminho. Segurança nunca é demais, o Google disse 4h e meia, eu 5h. Nossa viagem foi de quase 7h, contando com a parada de mais de uma hora em torres.
Já no Psicodália, escolhemos por termos de localização o acampamento Mutantes para montar nossa barraca luxo-vintage com dois quarto, fabricada em plenos anos 70, simplesmente a maior barraca de todo psicodália e até agora ninguém mostrou uma maior e muito menos vi uma maior.

Eu só vi mesmo uma noite de show, caguei para os gaúchos da Pata de Elefante, por exemplo, sei que são bons, mas eu já tinha visto o show, dediquei meu tempo na arte da trova, meu sucesso ou fracasso deixo para o imaginário popular.
Durante a noite é que todo mundo se soltava realmente, excessos de todos os lados, cachaça de Minas, “Cerveja” Sol e Skol, Stainheger… bebida não falta nesse tipo de evento. O povo era muito tranqüilo, fácil de se fazer amizade. De golinho em golinho entre vários grupos fiquei bêbado e o que me sobra são flashes de uma primeira noite.
Ao acordar era sempre assim, um calor infernal e quando estava bem acordado entendi o porque do sub-título de “acampamento mais animado do psicodália” para o Mutanes. Gritos e mais gritos de “Bom Dia” e “Wagner” dominavam de tempos em tempos. Quem dormia de fogo nem ouvia, eu como já nem queria mais dormir sai e gritei junto. Wagner é o nome mais chamado de qualquer acampamento, é um nome lendário de lá. Sempre que alguém grita algo vai ter outro gritando “WAGNER!!!” bem alto, tudo era “Wagner” lá, desde: “Wagner, devolve minha lanterna!” até “Wagner tira a mão do meu ***”, enfim tudo era culpa ou obra desse Wagner.
Os preços eram bem em conta, mesmo o lugar sendo no fim do mundo era tudo relativamente barato e bom lá, tomar café da manhã e ficar olhando o movimento e ficar de conversa com algum povo aleatório era meu passatempo de toda a manhã ate a hora do almoço, já que nem tinha muito o que fazer, as oficinas que eu queria fazer não conseguia saber se já era hora ou não, então simplesmente desisti de tudo, preguiça Wins. No almoço, Xis, Prato Feito ou o restaurante, qualquer uma dessas opções eram boas. Para os preparados tinha a cozinha comunitária, que era um espaço para se fazer o fogo no chão e cozinhar seu rango. Usamos a cozinha uma vem para fazer o lendário carreteiro do He-Man (sim, ele era um dos meu companheiros de viajem), até então eu não sabia porque era lendário, mas entendi quando provei, não sei se era fome ou o fogo de chão, mas o carreteiro fica bem melhor no psicodália do que na cidade, sério mesmo.
Dos shows só vi os da ultima noite, Casa de Oraths e Som Nosso de Cada Dia. A primeira interessante com uma música muito boa mesmo, já a segunda completamente incrível, Som Nosso é uma lendária banda dos anos 70 brasileiro, talvez a primeira banda de rock progressivo aqui do brasil e eles realmente sabem o que fazem, incrível tamanha perfeição, o único aquém foi o tamanho do show, como disse o vocalista e baixista Pedro Baldanza, esse era apenas o terceiro show depois do retorno, os pedidos de mais um viraram reprises maiores dos Clássicos, como Bixo do Mato. Realmente matou a pau de tão bom e não deixaria passar a oportunidade de ver novamente.
Tem um pessoal falando bem da Bandinha Di Da Dó, realmente o show deles contagia apesar do lado mais musical ser bem simples, desde a ultima vez que os vi – no Gig Rock, notei isso, agora ficou realmente claro e o povo que não conhecia se apaixonou quase instantâneamente.
Um Pequeno Susto
Durante um dos dias, ouve um vento gigantesco, meus companheiros estavam todos na cachoeira e eu conhecendo novas pessoas e falando um fiado aqui e acolá, fui até a barraca segurar as coisas como os demais. Quase nem tive trabalho, nossa barraca estava firmemente pregada ao chão onde somente a frente caiu, fiquei por dentro segurando a barraca de pé, só para garantir, enquanto alguns gritavam “salve-se quem puder” baita exagero, não entendo porque a preguiça de “pregar” a barraca no chão na hora de montar, percebi que a maioria do povo de lá sequer tinha colocado um grampo no solo para segurar, muito menos as lonas, baita erro deles, perceberam somente quando era tarde. Eu, por outro lado, estava tão seguro da nossa vintage barraca que cheguei a dormir quando a chuva começou, matando de rir todos os que passavam e pensavam que o pior iria acontecer. Segurança é tudo, povo.
Bye my Friend
A saida é sempre o mais triste e chato quando se esta em um lugar tão legal como o Psicodália, tudo então fica pior com chuva. Eu prefiro montar 12 barracas a ter que desarmar uma, simplesmente não consigo entender como funciona para deixar tudo do mesmo tamanho que veio, para ter idéia, meu colchão inflável nem coube na caixa, sou uma negação para esse tipo de coisa.
Desmontar a barraca tivemos que fazer em três partes, por causa da chuva que dava pequenas tréguas. O que equivale mais ou menos o que oito barraquinhas iglu demoraram para ser desmanchadas. Desvantagens do conforto.
No final tudo deu certo, apensar de ficar maior e mais desconfortável, o Fanemobile ficou muito mais apertados para os caroneiros e era barro para tudo que é lado, a vida natural prega suas peças.
Uma das reclamações do povo de lá é com os foliões, gente que não sabe da ideologia do festival e vai lá somente como uma “extensão do carnaval”, lixo foi deixado no meio dos acampamentos e não é essa a idéia que o festival quer, ouvi relatos dos anos anteriores que não foi dessa maneira. Como diria o grande Plá, músico de rua e icóne do festival: “Galera o foco é ouuuutro!”
Para encerrar o Post um vídeo com algumas imagens do psicodália




2 Responses to “Psicodália 2009 – Só Alegria e Minhas Impressões.”
March 25th, 2009 at 11:34
ai fane, deve ter sido mto foda esse psicodalia. No próx. eu vou certo, afinal alguem tem que saber guardar as coisas direito…
ps.: posta outras coisas o inutil, nem atualiza mais o blog… uma semana já!
May 18th, 2009 at 23:19
“Não obrigado, eu fui para o Psicodália, curtir um pouco de natureza”, e pelo visto não só foi vc hein… pela foto aí o que não falta são barracas, massa isso.
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