Whitesnake – God to be Bad Tour 2008
Um título alternativo poderia ser:
Quando eu vi David Coverdale cantar Burn e fiquei mais louco que o Bozo.
Desde sua ultima vinda ao Brasil em 2005 o Whistesnake , que na época abriu para a banda de Heavy Metal Judas Priest, era esperado pelos fãs da banda e do vocalista e fundador David Coverdale em ter nova oportunidade de ver. E com a gravação do novo álbum God to be Bad, gravado em 2007, as chances de uma vinda à América do Sul foram aumentando gradativamente. Felizmente para os fãs gaúchos, Porto Alegre não foi excluída da turnê sulamericana do novo trabalho. Foram pouco mais de cinco mil pessoas no Teatro Bourbon Country, que fica na zona norte da capital gaúcha.
Fiz questão de chegar cedo às portas do teatro, que fica dentro do shopping Bourbon Country, às 16h fui verificar a fila que já tinha umas 15 pessoas, ate então era uma única fila, já que o teatro não estava aberto. Após aproximadamente meia hora os portões de ferro do Teatro abrem e a fila é dividida em duas, pista e galerias, camarotes, platéias. Uma coisa que difere um pouco o público gaúcho do resto do país é os valores dos shows. Não entendo muito de Relações Públicas e muito menos de produção de eventos. Mas qualquer leigo pode perceber que aqui não tem os chamados ‘ingressos de estudante”, o que é feito no lugar desse lote de estudante é um lote promocional, sendo assim escapa da decisão judicial de ser obrigatória venda de ingresso promocional durante esse tipo de evento.
Não tenho idéia como foi o sufoco a entrada para a pista, devido à imensa procura pelos ingressos os promocionais de pista foram vendidos no primeiro dia e assim optei por galeria. A entrada para as galerias foi super tranqüila, o pessoal respeitou e foi tudo em ordem (ai de quem se metesse a besta)
Quase com pontualidade britânica o Whitesnake sobe no palco, ao som de uma intro feita pela banda conforme vão chegando ao palco. O inicio do show foi marcardo pelo grito de David Coverdale e o riff pesado da guitarra junto da bateria, era Best Years que marcava o começo do grandíssimo show naquela noite de domingo, Best Years é uma das músicas do novo álbum e achei incrível a coragem de iniciar um show com uma música nova, por mais agitada e pegajosa que seja. Notei, além do fato da música ter um refrão fácil, que o pessoal tinha feito o dever de casa e cantavam animados o refrão. Logo de cara notei que a voz de Coverdale diferente do que estou acostumado, não pior, diferente.
Depois de um breve bate-papo como o público, que entendi bem pouco por causa do barulho foi a vez da próxima emoção.
Fool For You Loving foi cantada em peso e foi o primeiro de vários corais feito pela povo durante o show, nessa música a voz de coverdale estava incrível, definitivamente me convenci de que nada de sua potência vocal foi perdida, apenas modificada pela idade.
Minha opnião não é isolada, após Fool for you loving, gritos de “Coverdale, Coverdale”, em resposta ele agradece a presença de todos. – “Porto Alegra, who are you?”.
Ate então só falei de Coverdale e tenho que me cuidar para não deixar de citar ou diminuir ou outros integrantes da banda, Doug Aldrich e Reb Beach são as guitarras do Whitesnake nesse show. No baixo Uriah Duffy, nos teclados Timothy Drury e Chris Fraizer na bateria.
Bad Boys deu seqüência às músicas agitadas do show, e o povo não deixou barato, respondeu todas as estrofes que eram atiradas para eles. – I Know You, You know me!
Mais uma vez Whitesnake mostrou porque a formula de refrões simples funcionam muito bem, quem não sabia (se é que existia alguém desse tipo lá) ficou conhecendo e cantando na seqüência.
Antes do inicio de Can you Hear the Wind Blow, Coverdale já tinha elogiado as mulheres brasileiras, afirmou que os homens de Porto Alegre são “f.d.p sortudos por nascerem e morarem em um país com as mais bonitas mulheres do mundo”, fato que concordo. Afinal, Futebol? Laranja? Que nada, mulher é o maior artigo de exportação nacional, felizmente ainda sobram algumas para os nativos.
Can You Hear the Wind Blow é um Hard Rock moderno, com um pré-refrão dramático e um refrão agitado, adivinhem se a galera ao gritou o tempo inteiro e pirou com o solo rápido e melódico?

Love ain’t no Stranger, que foi dedicada a Mel Galley (ex-guitarrista do Whitesnake que esta passando por dificuldade de saúde), foi aquela que todos cantaram em alto e bom som a introdução e todos os refrões. O solo foi perfeito, as mudanças feitas por Doug acrescentaram ferocidade ao solo que era melódico.
Lay Down Your Love é mais uma do novo álbum, para variar, um refrão delicioso de ser cantado, empolgante e ritmado, até as palmas acompanhando a música aconteceu.
Is this Love, uma das maiores baladas de todos os tempos, não podia faltar e ainda mais na “cidade do amor”, segundo o próprio Coverdale. Não tem como não gostar dessa balada, além de ser um bom momento para os casais.
Doug Aldrich e Reb Beach fazem um duelo de guitarras, o que mais me chamou atenção foi a distancia entre os estilos dos guitarristas. Doug que é muito mais veloz – velocidade que chega a espantar – e Reb é muito mais feeling, lógico que não deixou as passagens rápidas de lados e abusou da alavanca.
Depois mais uma da fase clássica, Crying in the Rain. Para mim, uma das melhores. A primeira estrofe foi cantada integralmente junta. Logo após teve o solo de Bateria do Chris Frazier, ele domina muito bem o bumbo duplo e fez umas levadas e viradas clássicas, achei só que faltou mais interação com o público que queria gritar “hey” em suas paradas e ele não se ligou nisso.
The Deeper the Love foi feita de forma acústica com somente Coverdale cantando e Doug tocando violão (depois na metade disfarçadamente com o baixo de Uriah Duffy). Eu que optei por não saber nada dos outros shows fiquei maravilhado com a versão acústica, simplesmente incrível.
Como surpresa foi adicionada a antiga e boa Guilty of Love, que é um rock bem feliz e se meus ouvidos não foram enganados teve uma parte que o solinho tocado foi o de Rock in Rio, que é muito parecido com o solo de Guilty of Love.
Ain’t no Love in the Heart of the City, é mais uma da clássicas e o povo embalou legal nela, principalmente o público feminino. Como todo bom clássico que se presta, teve a capela da galera cantando o refrão e a bateria marcando o tempo.
Praticamente um hino hard rock, Gimme All Your Love, fez lembrar os bons anos 80. Também foi a música para Reb Beach exibir sua técnica. Mais uma parada no refrão com o mar de pessoas cantando o refrão “Gimme all your love to night”.
Here I go Again ganhou peso no show, ficando assim uma versão pauleira. Cheia de energia e mais uma vez com a música na ponta da língua de todos.
Depois de todas essas emoções a pausa, o que normalmente seria o fim do show, mas todos sabem que é só um tempo curto para o Bis e o tempo foi curto mesmo.
A galera pedia: “Burn! Burn! Burn!“. Mas a volta foi um com o mega sucesso Still of the Night, uma versão matadora que eu perdi qualquer sentido cantado e gritando, fazendo parte daquele show magnífico!
Talvez nem tenha sido uma real surpresa, mas para mim foi, na verdade foi para minha surpresa e delírio que Coverdale inicia uma “capela” da balada da época do Deep Purple, Solider of Fortune. Mesmo as palmas desajeitadas de alguns não deixaram a canção menos bela (ou será um delírio romântico meu?), Coverdale ainda finaliza com um “Obrigado Porto Alegre, Obrigado Brasil”. Na minha humilde opinião, um dos mais emocionantes momentos do show.
Já o momento mais empolgante e o que mais realizou-me , foi o que estava por vir, Burn. Não teve como ficar parado, Burn na minha opinião é uma obra-prima e poder ouvir a música cantada pelo David Coverdale ao vivo é uma emoção que só poderia ser superada se ao seu lado estivesse nada menos que seus antigos companheiros de banda, Ritchie Blackmore, Jon Lord, Ian Paice e Glen Hugges. Para minha alegria, Doug mudou pouco o solo, adicionou muito do que sua técnica perdia, mas manteve todas as partes clássicas o tempo certo, o mesmo fez Timothy Drury com o saeu solo, manteve-se bastante fiel ao solo gravado no disco feito por Joh Lord. Como no show que teve em 2005, qual não fui, mas já tinha ficado sabendo, Stormbringer entra no meio e segue estrofe e refrão voltando assim para Burn novamente. Nada poderia ser melhor naquele momento.
Acabado o show, e começa a distribuição de mais palhetas, então algo que eu não acreditei aconteceu, eu estava com um amigo, o Piá, e ele pede a baqueta a Chris Frazier. E não é que foi atendido, o Chris lança a baqueta para a galeria e o Piá agarra com uma precisão que só pode ser resultado da inúmera força de vontade dele.
Sai do show com a sensação de ter visto um dos melhores shows da minha vida, David Coverdale é uma das maiores vozes do rock, além disso é muito experiente e carismático quanto a show, tanto que quase todos que foram no show e estavam alcance de visão foram cumprimentados pelo vocalista.




4 Responses to “Whitesnake – God to be Bad Tour 2008”
May 14th, 2008 at 19:13
Cara, que foda! Eu ainda não fui a um show internacional, que deve ser fodasso. Quando o show é perfeito do jeito que você narrou, deve ser algo perfeito mesmo. Parabéns!!!
May 15th, 2008 at 17:54
Eu já fiz vários blocos de notas aqui tentando relatar o show, tentando relatar detalhes, tentando relatar a emoção de ter visto isso tudo ao vivo, mas nenhum texto expressa o que estamos sentindo, né pirão?
Que show, que show!!!
Um dos melhores da minha vida com certeza. O Coverdale brinca de cantar, voz mais do que perfeita!! E com certeza um dos melhores vocais atuamente.
Ver os caras a centimetros de distancia fazendo ao vivo e a cores o que sempre ouvimos e vemos em cds.. dvds..fitas, eles te notarem na multidão, interagirem contigo, apertarem tua mão e ainda ganhar palheta do Reb não tem preço!
Eu passei falando que queria que rolasse Now You’re Gone, mas depois de conferir o set ao vivo nem fez falta!! auhauh
Gostei do cd novo de primeira quando ouvi e ao vivo tive mais certeza ainda que o cd era pra marcar.
Desabei na Can You Hear the Wind Blow quando naquele trechinho “all i want just spend my life… with you” o Coverdale tava lá no nosso lado e abriu os braços pra nós.
Mas The Deeper the Love foi a mais linda da noite, ali desabei o que faltava!
Acho que repeti nesse comentário tudo que já tinha te falado né? auhauhauha
Mas vale dizer de novo principalmente:
estou em extase até agora! AUHAUHUAH
beijo pirão
June 1st, 2008 at 17:41
[...] shows que podem ir de uma peça de teatro até um super show de hard rock (só pra lembrar que o do Whitesnake ocorreu [...]
March 1st, 2009 at 23:18
[...] é engraçado, mas na época, era o “u” do pirarucu. Tanto que bandas como Poison, Whitesnake também faziam parte desse movimento. A sorte de Jon era que além da voz, ele tinha um rostinho bem [...]
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